Amizade usurpadora

Usurpar é uma palavra forte, não é? Capaz de muitos irem ao dicionário procurar seu significado, ou lembrar da novela mexicana de 1998: A Usurpadora (novela boa por sinal). Mas se formos pensar nessa palavra, ou melhor, nesse ato nos dias atuais, seu significado tanto gramaticalmente como psicologicamente, está muito presente nas relações, e isso é um dos componentes que contribui para uma relação tóxica, mas você já parou para pensar como isso está presente nas relações das pessoas?

Mutos atribuem reciprocidade ao ato da dignidade, de se doar e receber fazendo com que isso seja um ciclo vital das relações humanas. Uma relação autêntica consiste além dessa característica, a compaixão, interesse pelo outro entre outros afetos que contribuem para a formação dos vínculos entre as pessoas. Acredito que você seja uma pessoa que estende a mão para quem precisa, ouve quando alguém está em aflição, doa do seu tempo para ela, mas também penso que você seja uma pessoa que precisa disso, precisa ser ouvida, acolhida, compreendida, ou seja, não é somente doar mas receber também. “Venha nós mas vosso reino nada”, já ouviu essa? Pois bem, é comum e é muito frequente, pois quando você é quem precisa de um ombro amigo, até a sombra daquele que diz ser seu “amigo” desaparece, mas quando precisam de algo, você se torna o Messias.

Penso que há duas maneiras de construir relações com as pessoas que se pensarmos bem, são conduzidas dessa forma:

  1. O interesse direto da construção do vínculo – A pessoa realmente está interessada no outro, no que pode ser agregador  na relação, crescer juntos, contribuir e compartilhar experiências e idéias. Esse é o tipo de relação que vejo estar se tornando escassa pois disposição e interesse são para poucos. Vejo quão contraditório é uma pessoa dizer que gosta de fazer amizades, de conversar mas no facebook ou whatsapp, tem várias conversas ignorada. Essas pessoas são as que eu costumo chamar de “amizades de conveniência” que é onde entra no segundo modo de se relacionar.
  2.  Pessoas convenientes – Convenientes nesse sentido credito no sentido da pessoa assumir uma postura auto suficiente, deixando claro que não precisa do outro pois se dá como satisfeita no círculo social que se encontra, e se uma pessoa tem algo que é do interesse dela ou que ela precise, ela se aproxima. Mas essa atribuo aos eventos esporádicos pois acredito que todos nós cometemos, e também por ser esse um caminho indireto para o primeiro tópico descrito acima.

Muito diferente do segundo tópico que é um fator eventual, a usurpação está longe de ser uma maneira de se relacionar, pois a intenção da outra pessoa é meramente a busca da do conforto para uma angústia ou obtenção de alguma vantagem, mas o que ambos tem em comum mesmo se tratando do primeiro que é uma angustia? É o seu tempo investido que não terá retorno. Você se torna uma mera alavanca em que a pessoa maneja ao precisar de algo. Você se faz presente para a pessoa mas ela não por você e isso também é contrair uma relação tóxica, pois a pessoa ou faz conscientemente ou inconscientemente, agora alimentar essa ação vai de você.

Sabe aquela frase que muitos romantizam: “Se a pessoa te procura só quando precisa, ajude pois você é a luz da escuridão dela”, não se engane com isso, a partir disso, a pessoa comete abuso psicológico pois suga você com os prolemas delas e para você que não é psicólogo, absorver um problema quando você tem os seus próprios, é injetar uma bactéria no seu emocional que irá te incomodar amanhã e pensará: “Eu me faço de amigo, dou ombro e ouço quem precisa, mas agora eu que preciso não tem um”. Infelizmente esse é caminho propenso para auto depreciação do próprio valor e ninguém merece isso.

Pense em sua saúde emocional e na saúde de suas relações, evite pessoas usurpadoras e valorize aquelas que estão e se fazem presentes na sua vida também. Tenha reciprocidade como lei e o resto descarte. Quanto mais saudável você estiver, mas saudável serão suas relações.

 

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Forte abraço!

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