Como somos influenciados a formar opinião sobre uma pessoa?

Existem alguns casos em que somos conhecidos por ouvido ou por escrita por alguém que falou de nós para alguma pessoa, mas o que poucos tem consciência é como isso é tão poderoso nas relações sociais.

As palavras não podem mudar a realidade, mas tenha certeza de que elas podem mudar a maneira como as pessoas percebem a realidade. Nesse processo de percepção, criam-se filtros e interpretações de acordo com aquilo que cada um carrega consigo. Considere dois exemplos: João está no trabalho e observa um novato que iniciou na empresa a dois dias. O novato não interage muito, é de poucas palavras mas João nunca se aproximou para conversar e comenta com outro colega que voltou de férias: ” Olha lá o novato, cara arrogante! Não conversa com ninguém, troca uma ou duas palavras, não me transparece confiança, fique esperto com ele que vai querer mostrar trabalho para o chefe”. Ao relatar isso para seu colega que nem estava na empresa, passa a construir uma imagem negativa sobre o novato e as chances de se esquivar ou ter um olhar indiferente com o ele são grandes.

Isso acontece muito no cotidiano das pessoas no trabalho, igreja, festas entre outros encontros sociais, rotulam a pessoa imediatamente por não ter encontrado simpatia. Agora considere o mesmo exemplo mas com adição da fala do colega das férias: “João, já lhe ocorreu em pensar que ele possa estar tímido? Ele começou esses dias na empresa, é normal que não interaja muito pois ainda está se adaptando ao ambiente, as pessoas, tomando conhecimento da rotina. Acredito que se conversar com ele, sua impressão possa mudar”.

É comum esse tipo de situação e o que ocorre é que poucos questionam a veracidade da informação. Muitas vezes aquilo que uma pessoa filtra pode não condizer com a realidade e é bem capaz que essa pessoa esteja projetando alguma conteúdo dela (no caso, arrogância). Há uma frase de autoria duvidosa sobre Freud em que está escrito: ” O homem é dono do que cala e escravo do que fala. Quando Pedro me fala sobre Paulo, sei mais de Pedro do que de Paulo”. É importante checar a fidedignidade do relato que se apresenta, se uma pessoa fala mal da outra, por qual razão fala? Há motivo plausível? Sabe aquelas pessoas que quando saem de uma empresa, falam mal da gestão, dos companheiros, do salário e ficam indignados pela demissão e quando verifica o histórico da pessoa, está registrado que ela não respeitava os companheiros, não acatava instrução do gestor, faltava e não justificava? Eis um conteúdo próprio da pessoa para justificar uma culpa inconsciente.

Mas isso não é somente para relato negativo mas vale para o positivo também. Aquela moça que fala bem de um rapaz para sua amiga, leva boas referências dele, sua amiga tenderá a construir uma opinião positiva com base ao relato e quando encontrar com o rapaz, terá expectativa para o encontro. Isso é chamado de “efeito de primazia”. Isso acontece quando os relatos tomam uma proporção forte para formulação da opinião sobre alguém.

Fique esperto aos relatos e as “fake news” que aparecem para você, blinde-se contra generalizações e falácias.

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