Visão sobre o filme Intocáveis

Um filme belo e bem construído como Intocáveis é difícil de se assistir uma única vez. É a 4º vez que assisti a esse filme e resolvi criar uma categoria no blog para falar sobre filmes, mas não relacionado a críticas como o Rotten Tomatoes e Metacritic mas discorrer sobre os aspectos relacionais que trazem um olhar diferente na trama.

O filme conta a história de um milionário (Philippe) que após sofrer um acidente, perdeu os movimentos da nuca para baixo e passa a receber cuidados de Driss, um homem com histórico suspeito, preso por roubo. O tipo de pessoa que deixaria outras com receio devido ao seu jeito de ser.

intocaveis entrevistaPhilippe é um homem fino, inteligente, educado com uma postura nobre quando o assunto é tratar as pessoas, enquanto Driss tem seu jeito espontâneo, sincero, fala o que pensa e acaba mostrando mais autenticidade para Philippe no dia da entrevista do que outros candidatos. A relação entre ambos se desenvolve e solidifica quando Philippe sente sua auto estima crescendo pois Driss não age com medo devido a fragilidade de Philippe mas sim o trata como uma pessoa igual a ele. O mundo de cada um e suas visões de sobre a vida são totalmente diferentes, desencadeando alguns “desafios” saudáveis de intelectualidade, experiência de vida  e principalmente aceitação.

Acredito que o filme encontrou seu ápice na cena de um restaurante em que Philippe diz não se importar com o passado de Driss pois atende suas necessidades e não sente pena dele. É um afeto genuíno quando expressamos sentir um certo grau de piedade, isso é bom pois nos faz compadecer da situação de uma pessoa, mas até que ponto isso é bom?
intocaveis Ao que deu a entender, durante os demais cuidadores de Philippe, o ato da piedade foi tão elevado que acabou prejudicando sua auto estima fazendo-o se sentir inútil, mas com a chegada de Driss, isso mudou com o jeito de se expressar, confrontar algumas ideias e até mesmo desafiar Phillipe (como fez no telefone e o encontro com Eleonor). Dois mundos diferentes mas com uma completa aceitação incondicional. Carl Rogers defendia que aceitação incondicional e empatia são duas das condições facilitadoras para auto gestão do sujeito e que seu pensamento e comportamento podem ser modificados conscientemente se o ambiente propiciar a isso, é o que vemos em Driss, ao longo do convívio com Phillippe foi influenciado pelas músicas clássicas, nas palavras como “pragmático”, na arte e até mesmo pintou um quadro e tempos depois tornou-se empresário, mas tudo isso só foi possível quando ele não foi condenado pelo seu passado e no final, cada um aprendeu sobre seus respectivos mundos, cada características foi aceita e aprendida durante o convívio que ocasionou a aproximação.

Você já parou para pensar no que pode ter perdido, deixado de experienciar ou aprender com pessoas que você julgou a primeiro momento e descartou qualquer possibilidade de convívio? O mesmo deve ter acontecido com você, qual a sensação de ser rejeitado e julgado por coisas que você fez no passado ou que dizem ao seu respeito que são distorcida no boca a boca de cada um? Sensação horrível, não é? Quem não gosta disso, não deveria fazer com outras pessoas, não acha? Afinal, as pessoas mudam? Eu acho que quem responde com não, está auto afirmando que ela mesma não muda mas na verdade, estamos em constantes mudanças internas e muitas vezes só é preciso de um ambiente que favoreça essa mudança para ser amadurecida. Eu mesmo era desorganizado e tinha consciência disso, começava algo e parava no meio do caminho e entendi onde estava a raiz desse meu comportamento condicionado, comecei a mudar meu comportamento através de quadros expostos no meu quarto, cronometrei minhas atividades, passei a usar agenda até que o ponto que me tornei metódico com planos e habitado na rotina. Hoje não sinto um pesar grande quando não cumpro no mínimo duas tarefas programadas no dia – sinal da mudança internalizada e concluída.

A grande mensagem do filme é: Julgue menos e dê oportunidade pois você também gostaria de tal oportunidade. Se permita a conhecer, se relacionar, afinal, não sabemos o que a outra pessoa tem para nos oferecer de agregador, não conhecemos suas relações, suas idéias, suas perspectivas então, temos mais motivos para trata-las bem do que com indiferenças por questões narcísicas.

Um forte Abraço.

Diego San.

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